domingo, 19 de fevereiro de 2017

Inferno astral 2k17 edition

Ultimamente eu tenho pensado bastante em coisas pra escrever, formulado na minha cabeça mas acabo fazendo absolutamente nada. Li bem pouco nessas férias (terminam em duas semanas), não vi muitos filmes, só vi uma série inteira (Crazy ex-girlfriend) e alguns episódios de outras... mas no geral, tenho só pensado bastante mesmo. Lembrei de como eu precisava externalizar tudo na adolescência, talvez por me sentir tão só e não estar acostumada a ser só. Eu amo a solidão de uma forma não tão saudável hoje - mas às vezes me pego pensando em participar de atividades coletivas que nunca tinha tido vontade antes. Esse ano eu quis muito ir em alguma coisa de Carnaval (digo quis porque sexta agora eu tiro meus dois sisos que ainda restam, então não poderia sair de casa pra foliar nem sob a influência de muito remédio) e já estou me planejando pra ir a alguma festa da faculdade. 

Talvez seja hora de sair do casulo, nem que seja por alguns instantes. 

Eu sei que vou sair de casa pra me sentir mais deslocada ainda, mas trato interação social como trato reeducação alimentar: de vez em quando vale a pena tentar, mesmo sabendo que não vai dar muito certo, nem que seja só pra ter mais certeza que não me encaixo em nada. Ando mais cansada que o normal (talvez por só ficar pensando demais e talvez, talvez, talvez?) e culpando o ócio não criativo e o capitalismo. Odeio me sentir adolescente de novo. 

ps. facebook voltou a me fazer mal e abandonei de novo.
pps. será que o desconhecido que me deseja feliz aniversário todo ano vai aparecer?

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Balanço

Em 2016 eu:
- Rezei por uma greve na universidade porque eu provavelmente entraria em parafuso de forma muito difícil de reverter se o semestre tivesse sido normal;
- Liguei zero pra minha aparência (ligar no sentido de estar tão ocupada com outras coisas que não coloquei "aparência" na lista de prioridades);
- Resolvi meio mal resolvido o lance com meu ex-namorado que me deu um pé na bunda mas ainda quis me deixar ali de reserva (flash news: aqui não, querido);
- Tive uma das piores crises existenciais da minha vida adulta por causa de autoestima, desencadeada por uma decisão que nem lembro de ter tomada (ah, o álcool) e que ainda me dá vergonha (de vez em quando meu cérebro faz questão de lembrar da coisa toda, uns lampejos meio sensoriais acoplados a memórias inventadas);
- Terminei o bacharelado do Português (ainda falta uma nota, mas tenho certeza que passei);
- Voltei pro facebook e continuo com muita preguiça de redes sociais e comunicação;
- Conheci muita gente, mas dei um jeito de ficar mais reclusa e introvertida;
- Passei a depender de listas e agendas de maneira quase compulsiva;
- Descobri muitas doenças. Muitas mesmo. Várias de fundo emocional.

Em 2017 eu quero:
- Resolver essa merda com a autoestima. Chega. Já deu;
- Voltar pra terapia;
- Morrer de estudar e adiantar bastante coisa pra ficar mais livre no último ano da faculdade;
- Conseguir, de alguma forma, morrer de estudar e ser menos reclusa e ter alguma vida social (até hoje algo inexistente em minha vida);
- Procurar alguma atividade que me acalme e não me deixe pilhada a ponto de querer perfeição (que quando não é atingida é motivo de auto-massacre e depreciação).

É isso. Vamos lá.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

"Todo mundo sabe e ninguém quer mais saber"

Tenho prazos a cumprir e a depressão que eu segurei por um tempo voltou com tudo hoje. É quase sempre quando a gente tá atolado em trabalho né? Aí a  técnica de se afundar em trabalho pra não pensar que quer sumir não funciona. Fico com aquela sensação esquisita que o Leminski e o Renato Russo já descreveram tão bem, de estar cheio do vazio, o corpo quente sentindo frio. Eu colo recados coloridos com memento mori por toda a casa pra lembrar o que sei racionalmente: que vai passar... Mas é tipo droga: eu esqueço que é o horror enquanto dura.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

A internet várzea, a internet moleque

Uma das minhas coisas prediletas a fazer quando estou entediada é entrar no Omegle pra falar inglês. Claro, é como um mar de pintos, a mão tem que estar no ESC pra mudar de conversa (e fugir de tarados e pintos) o tempo todo, mas de vez em quando dá pra encontrar alguém legal, que também foi movido por alguma força louca e sem sentido pra entrar no Omegle. Ontem eu conversei:
- com uma travesti inglesa que mora na Tailândia e gosta de música eletrônica, a Suzanne;
- com um belga mentiroso que disse conhecer o Dimitri Vegas (um DJ famoso que eu só conhecia porque meu irmão fica ouvindo música de maloqueiro boyzinho enquanto toma banho/dirige e todo mundo de casa acaba ouvindo também);
- Um cara que parecia normal mas me chamou de "Mistress" e quando eu comecei a rir falou que gostava de ser humilhado com risada. Fiquei com medo e dei ESC na conversa em questão de segundos, mas passei um bom tempo rindo da situação e do tipo de pessoa que a internet esconde.
Mas né, não esconde. A internet é composta de seres humanos (ainda bem que quase ninguém me lê, e se lê, provavelmente é de humanas e não vai retrucar que a internet é feita de megabytes ou qualquer coisa assim que eu não sei o nome) e humanos são estranhos e fingem muito bem. Quando a gente para pra pensar, o tio de onde você compra um lanchinho pode ser alguém que curte S&M e ser humilhado por pessoas que dão risada dele na internet, e seu colega de classe por de ter fetiche por pés, ou qualquer coisa que parece bizarrice mas é mais comum que a gente imagina.
Às vezes eu esqueço dessa internet pré-textão no facebook, hashtag no twitter e no instagram. Sinceramente? É maravilhosa (zero comportamento de massa, 100% tara que vem do âmago, movida por desejos pessoais solitários).

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Tentando ser Armada Dumbledore e Neville depois que o Harry vai embora de Hogwarts.

Hoje fiquei acordada até 3h da madrugada (mesmo sabendo que teria que levantar às 7h) pra saber quem seria o novo presidente dos EUA. Quando o Trump foi ganhando em quase todos os estados e eu fui me xingando por mais uma vez não tentar entender o sistema eleitoral americano, bateu o desespero. Minha timeline do twitter estava em choque, todos os jornalistas e estrangeiros que eu sigo não conseguiam acreditar no que estava acontecendo. Parecia um pesadelo. Surreal. Pra falar a verdade, ainda parece surreal: eu cheguei na FFLCH e todo mundo só falava disso, meu professor de Literatura Brasileira que se atem ao programa o máximo que pode não parou de soltar comentários embasbacados durante a aula e passei o dia conversando com meus amigos no whatsapp sobre o que eu estava sentido. 
É medo. 
Eu me sinto dentro de um livro de terror, um livro de história. Só consigo lembrar dos livros de relato de guerra e ditadura que li, em que todo mundo sabia que havia algo errado, as pessoas trocavam cartas e se encontravam pra falar que algo estava MUITO errado e o mundo seguia em frente. A turba vivia como se nada estivesse fora de lugar, e de repente o fascismo começava a gargalhar na cara de todo mundo. Sempre malicioso, sempre disfarçado de progresso e "bem maior" - enquanto toda e qualquer minoria que ousasse ir contra era massacrada. Me assusta muito o fato de o Brasil não escancarar a memória do horror que foi a Ditadura Militar; isso dá margem pra Bolsonaros e Malafaias vomitarem ódio sem culpa nenhuma, e sem que nada aconteça com eles. Os filhotes da ditadura que só sabem esbravejar "Comunistas! Guerrilheiros!" tomam força, e os jovenzinhos que não aprendem de forma plena filosofia, sociologia e história na escola, acham que tortura é algo comum. Que matar um ser humano é normal. Que alguém não ter um direito por ser diferente é ok. Ah, esse nosso país cristão...
O Trump ser presidente da maior máquina de guerra do mundo sendo louco do jeito que é: assusta. Mas o fato de ele ganhar a eleição falando as coisas que falou e defendendo as coisas que defendeu assusta um milhão de vezes mais. Votar num homem que estupra mulheres, racista, xenófobo e intolerante é dar apoio a esse tipo de comportamento. Votar num homem que saúda um torturador, é ser conivente com tortura. 
Tenho a sensação contínua de caminhar pra trás. Parece que as pessoas vestem uma máscara de progressistas, de inclusivas, mas basta um fascista aparecer e começar a despejar retórica (boa ou não) que as pessoas se revelam. Eu decidi que vou militar, que não vou deixar discurso de ódio passar, que vou ter paciência pra discutir - agora mais do que nunca o debate é importante -, mas às vezes eu sento na cadeira da minha sala, meu coração se aperta e eu só tenho vontade de sumir pra não ver o mal que o futuro (dessa vez não tão distante) vai trazer. É muito difícil ter forças. 

Queria que minha edição surrada de A Ordem da Fênix estivesse aqui comigo agora.