terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

"I formulate infinity and store it deep inside of me"

Faltam sete dias pra eu completar um quarto de século.
Esse drama todo de "um quarto de século" é justamente porque faltam sete dias pra eu completar um quarto de século.
E eu estou... cansada.
Vim mais cedo pra São Paulo na esperança de estudar (três livros pra ler! Dois do TGI) e não adiantou muita coisa. O mês que eu tinha simplesmente voou; agora eu tenho cinco dias pra ler pelo menos dois desses três livros, mas eu não consigo fazer nada além de sentir falta de ar, dor de cabeça e chorar. 
Aliás chorar é algo que eu venho fazendo com maestria por 25 anos, mas preciso me dar os parabéns pelos últimos dois meses. Acho que eu vim pra São Paulo mais cedo pra ficar sozinha, em silêncio e chorar sem medo de ser pega de surpresa por alguém me perguntando porque eu estava chorando. Funcionou bem até meu irmão voltar e eu voltar a entrar em parafuso; eu gosto de dizer pra mim mesma que as duas últimas semanas foram piores porque eu estou em inferno astral - mesmo não tendo certeza se isso existe mesmo, mas sentindo muitas coisas. Fevereiro é o mês em que eu me sinto mais pisciana e gosto de falar que sou pisciana (além dos momentos sentimentais do dia-a-dia, que são muitos no meu). 
Eu voltei a fazer dieta, a tomar os sucos dietéticos pelos quais minha mãe pagou caro (e eu coloquei fé, vou ser sincera). Até consegui diminuir consideravelmente os doces, quase zerar. Hoje eu acordei mais taciturna que o normal e não consegui segurar a tremedeira pela falta de açúcar, então fui na padaria da Augusta e comprei um trocinho de maracujá ("é bom pros nervos, né moça?"), cheguei em casa e fui food-shamed pelo meu irmão - o que resultou numa torrente de mensagens furiosas pra minha mãe, algumas lágrimas, mais dor de cabeça (todos os dias no mesmo horário, uma semana e contando) e eu chorando rios vendo Queer Eye na Netflix. Eu estou engordando, mesmo de dieta. Deve ser a tireóide. Também perdi o ânimo de ir pra academia, e todos os dias uso a desculpa de que tenho esses três livros pra ler, mas a verdade é que eu ando sem ânimo pra absolutamente tudo. Também deve ser a tireóide. A falta de ar e o peso no peito me incomodam, e os telefones de terapeutas que só chamam e não atendem também. Mas eu vou sobreviver, até ficar tranquila alguma hora. Essas coisas sempre foram e voltaram, e eu estou aqui até hoje.
Hoje é o dia em o Kurt Cobain nasceu, e eu me impressiono como uma dia achei que fosse me desconectar dessa ligação estranha que eu sinto com um homem que morreu quando eu tinha 1 ano e sentia coisas demais. Eu ainda me sinto tão adolescente. A diferença é que hoje eu consigo ver muita beleza em tudo, e até tenho muitos momentos felizes, mas continuo me achando essencialmente triste; é como se um buraquinho negro ainda estivesse aqui dentro.
Eu espero que um dia ele fique mais escondido que aparente.

domingo, 28 de janeiro de 2018

Boom

Hoje eu senti ciúme. 
Se antes não tinha certeza de estar apaixonada, agora todos os martelos foram batidos.
Eu tinha esquecido como é ficar vulnerável a esse ponto.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Como mudei e escrevi tudo isso ouvindo a trilha sonora de Amélie Poulain

Eu fiz onze postagens nesse blog ano passado.
Em nove anos de blog, uma depressão (até então, o pior ano da depressão tinha sido o menos produtivo em escrita) e um amor (o ano em que me apaixonei foi o que mais escrevi), eu nunca tive tão pouco tempo pra mim - e foi uma droga.
Não escrever não quer dizer que tenha sido tudo totalmente ruim; em 2017 eu recebi muita visita em casa, interagi muito mais do jeito que eu gosto (ao vivo, olhando no rosto, vendo as reações) e menos online (e PRECISO falar sobre isso), escrevi muito mais na faculdade (ainda não do jeito que eu quero, não com a qualidade que quero, mas escrevi mais) e finalmente aprendi a falar sobre tudo o que me incomoda e tudo o que passou e passa na minha cabeça. Acho que se não fosse isso eu teria enlouquecido. Com a rotina que tive, os desafios emocionais que tive, se eu não tivessse sido totalmente franca, aberta e ocasionalmente não tivesse conversado com alguma amiga sobre coisas íntimas (coisa que raramente faço), eu teria passado de depressiva funcional pra surtada. Então não: apesar de não ter sido um ano maravilhoso, não foi o pior dos meus anos (tirando o óbvio: eu tive um teto, eu tive comida, eu tive luxos, eu tive amor, eu tive apoio, e até arrumei um emprego - que não é o melhor emprego do mundo, mas é algo que gosto). 
Quando digo que tive pouco tempo pra mim, isso quer dizer que tive pouco tempo pra fazer exatamente o que eu estou fazendo agora: refletir sobre mim mesma. Eu sempre fui alguém que pensou demais e agiu de menos, e ano passo eu agi demais; como sempre, o equilíbrio foi o problema. Em 2016 eu descobri que meu lance com autoestima era mais sério que eu imaginava, e prometi que tentaria arrumar isso. Em 2017 eu tentei, mas não deu muito certo. No final do primeiro semestre, eu descobri meu limite na faculdade e passei por uma das coisas mais confusas da minha vida até hoje (a morte de uma pessoa com quem eu estava me relacionando) e mais relacionamentos amorosos (que convenhamos: é a coisa que mais de deixa descaralhada da cabeça, de longe) e não parei um minuto pra refletir. No início do segundo semestre, eu levei uma puxada de tapete acadêmica (e pra alguém que se agarra em conhecimento blá blá blá Academia, isso é a pior das maldições) e me meti em mais um rolo amoroso, e de novo, não parei pra refletir sobre. Não é nenhuma supresa que eu esteja exausta.
Mas de tudo isso, o mais complicado do meu ano, foram os meus amigos. 
Voltar para o facebook no fim de 2016 foi a pior decisão que eu tomei em anos. 
No começo foi tudo ok, tudo muito divertido. Mas as cobranças voltaram. As cobranças pra que eu estivesse sempre online, pra que eu respondesse rápido, pra que não me divertisse usando se não tivesse tido uma conversa emocionalmente desgastante com alguém (ah, o egoísmo... tanto meu, quanto deles). Se antes as redes sociais eram tóxicas pra mim porque eu eu usava pra comparar a minha vida com a vida falsa (ou não) dos outros, agora ficaram tóxicas porque deixaram de ser pro meu divertimento, e passaram a ser mais um lugar em que eu não conseguia ficar sozinha. Mesmo as pessoas que entenderam que eu não podia mais ficar grudada no celular pra conversar, e pasaram a me ligar (por exemplo), ainda guardavam alguma espécie de ressentimento pelo meu desejo de introspecção. A cobrança foi uma sombra no meu ano, sempre ali atrás de mim. Tirando alguns poucos amigos (e alguns novos, que nem conheciam meu eu do início do orkut e da troca de mensagens por sms), ninguém parou pra pensar que eu sou do jeito que sou desde a puberdade - eu sempre sumi, sempre preferi me encontrar com as pessoas pessoalmente, sempre preferi os telefonemas. Eu sempre fui egoísta nesse sentido - hoje é mais ou menos legal ser assim, e chamam de "self care", mas eu passei um bom par de anos me acostumando com o fato de que era egoísta, e que pra mim, não era algo ruim. 
Ai, pronto. Eu precisava tirar isso do peito. Sobre as outras coisas desse texto (a universidade e meu coração) eu falo depois. Vamos às resoluções (que dividi entre "práticas" e "emocionais", porque virei esse tipo de metódica):

Práticas:
1) Estudar na biblioteca da Letras todos os dias. Ler tudo o que eu puder, mas principalmente as coisas que vão me ajudar com o TGI (feminismo, crítica literária feminista, tudo sobre Israel);
2) Fazer qualquer exercício todos os dias, pela minha saúde física e emocional;
3) Voltar aos poucos ao vegetarianismo (2016 e 2017 foram esse monte de merda porque eu deixei de ser vegetariana sim, e ninguém me convence do contrário) e se possível, tentar o veganismo;
4) Tentar me vestir mais do jeito que eu quero.

Emocionais:
1) Equilíbrio. Mirar no equilíbrio sempre, em qualquer área da minha vida (de forma prática, isso seria não focando demais na facauldade e deixando meu emocional ir pro ralo ou não ligando de forma alguma pros meus amigos ou pra minha saúde);
2) Voltar pra terapia pra começar a resolver os problemas com autoestima (acho que isso vai ser uma luta pra vida toda, então não vou nem pensar em resolver "de uma vez por todas), já que sozinha eu não consegui.

É isso. Esse ano eu vou estar mais por aqui de novo. Não consigo medir o quanto senti falta. 

sábado, 2 de dezembro de 2017

exausta

eu deveria estar Escrevendo
mas estou aqui escrevendo


quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Badad

Diário, 15/11/2017
Voltou a época em que quero apagar minha existência das redes sociais, e só quero limpar a casa, ler livros que não me acrescentem nada academicamente e ver filmes até de madrugada.