terça-feira, 18 de janeiro de 2011

C'est ma vie.

Tentar.
Fracassar.
Tentar.
Fracassar.
Tentar
e
fracassar.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Don't you forget about me.

Sempre achei que fose neofóbica, mas como (até o ano passado) nada de novo tinha acontecido comigo, não tinha certeza.
No segundo dia de 2009 eu escrevi isso:

"Sim, eu estou MORRENDO de medo desse ano. E nem é do vestibular, eu percebi. É do futuro. Esse é meu último ano (não por morte) em que tá tudo certinho. Em que eu tô segura, vou seguir uma rotina bonitinha. Comprar uniforme, material escolar, esperar discursos chatos da coordenação ("VOCÊS SÃO OS MEHORES! EU SEI, EU POSSO, EU PASSO! AEAEAEAE!"), ter a pressão das notas etc etc. A partir de 2010 é REL LIFE, I'm sorry Umáyra. Você tentou lutar contra isso, mas cresceu. Babau. Se vira agora. Sem papaizinho pra ir te defender se alguma coisa der errado.


Isso me assusta."

Não passei no vestibular, blá blá blá, muito drama, fiquei 2010 praticamente inteiro longe da minha família e tô aqui na luta de novo.

Mas a sensação é diferente.

I went with the flow. E apesar de eu brincar, dizendo que 2010 foi meu "Ano das Primeiras vezes", é verdade. Não me preocupei com nada ano passado. Não me permiti sentir nada que nao fosse o presente. E as minhas rotinas não tinham mais o mesmo gosto das antigas. Porque agora eu quero o novo (ou ao menos uma rotina nova).

Então acho que isso não faz de mim uma neofóbica - o que já ajuda muito na minha busca pela auto-realização. A gnose diz que para conhecermos o universo, devemos conhecer a nós mesmos, então cada aspecto meu que eu mesma descubro é um passo pra longe das minhas persistentes crises existenciais.

Mas a melancolia sempre está aqui. Allison, de "O clube dos cinco" disse que "quando você cresce seu coração morre". O meu parece estar morrendo aos poucos. Crescendo e desaparecendo (e isso mostra que minha alma é mais barroca que a da maioria das pessoas; mas como esse barroquismo todo não me ajuda em nada, acho que não é motivo pra eu me orgulhar ou qualquer coisa assim).

2011 começou no spleen: cheio de pensamentos depressivos, eu com vontade de ir-me embora pra Pelotas e deixar meus amigos e família pra trás. Família porque eu descobri que é melhor sentir saudade que conviver, e amigos porque eu sempre me sinto sem amigos (ou quero me sentir assim. Não sei se sempre fui Bukowski ou se Bukowski me fez ser assim).
Enfim.

O bolo de chocolate da minha tia-avó me devolveu a vontade de viver, assim como "Don't you forget about me" do Simple Minds. "Rain keeps falling down (...) (but) I'll be alone dancing, you know it baby..."

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Meu ano, em lágrimas.

18/01/2010: Pequena garota parte para Londres. Chora no aeroporto de Brasília ao perceber que está viajando sozinha. Chora no aeorporto de Guarulhos por quase perder o voo.

Em Londres, chora durantes os 5 musicais que assistiu, quando conhece a casa da Jane Austen, no 1º pub em que os Beatles tocaram e em todos os museus que visitou.

No avião de volta pro Brasil: Chora assistindo "Paris, te amo", Nova Iorque, te amo" e "Um sonho possível". O fato de a aviação estar sofrendo uma crise causada por um vulcão, e do seu avião ter que fazer um desvio na rota e passar por zonas de turbulência o tempo inteiro, surpreendentemente não a faz chorar.

05/2010: Chora porque vai chegar em casa de madrugada e não ao meio dia, como esperado.

22/07/2010: Chora porque vai pra São José dos Campos, estudar.

Em São José: Chora porque uma das mulheres da casa em que morava expõe seus traumas, chora de saudade de casa e chora discutindo com os pais sobre seu futuro.

01/12/2010: Chora porque a esperam com três litros de açaí, em casa.

Em casa: Assiste Notting Hill pela sexta vez. E chora ao ouvir She, dos Elvis Costello.


Mamãe me disse que eu chorei praticamente três dias seguidos, depois que nasci. Eu só estou dando continuidade a uma tradição.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Por isso eu corro demais.

Sentada num banco velho, a bolsa de lado, as pernas cruzadas, um dos pés balançando, Ulysses nas mãos, os olhos se demorando em cada palavra, a testa franzida.
Corta caminho pelo parque, corre, corre, se tivesse acordado 15 minutos mais cedo, corre, corre, Telemachia, Odisseia, Nostos, Leopold Bloom, esbarra num banco, cacete! não, Calipso, desculpa moça, tô atrasado pra apresentação da minha vida.
Estira as pernas, respira fundo, eu sabia que deveria ter lido Odisséia primeiro, ai moço!, tá desculpado, cruza as pernas de novo, meu Deus manda alguém pra me explicar esse livro porque tá difícil. 

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

"I think I'm dumb"

Como a natureza nunca fez tanto sentido pra mim, eu nunca prestei muita atenção nela. As pessoas definitivamente nunca fizeram sentido pra mim, então eu só prestava atenção em algumas (nas estranhas, outsiders. Se eu fosse kardecista, teria quase certeza que Kerouac vive aqui, dentro de mim).
Até eu descobrir que só as pessoas estranhas conseguem seguir com a vida delas, e eu não. Parte de mim está presa na infância (alô, Freud!) e outra em março e agosto de 2007.
Então, com quase 18 anos de atraso, a natureza começou a fazer um pouquinho de sentido pra mim.