terça-feira, 14 de abril de 2020

Black

I've always liked my hands, even when they weren't perfect. I once said they were the only part of me that felt "adult". Now that I'm way past the actual adult age, but I still feel like a teenager, I'm back at thinking about my hands, and how I like them specially when they have black on them.
Maybe I need to wear black all the time, until I feel any connection with what I am and what I feel. 

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Pesadelos e transtorno obsessivo compulsivo

Arrumo todos as sacolas, malas e pilhas de objetos que estão na sala. Abro gavetas cheias de meias, e sei que elas devem ir. Gosto de coisas velhas, de coisas usadas, mas todas as meias devem ir. Mato insetos. Assim que eu acordar, vou separar tudo o que não uso. Todas as minhas coisas vão caber em duas malas. Um dia vão caber em uma só. Não sei onde vai ser minha próxima casa, e enquanto não sei isso, minhas coisas tem que caber em duas malas. Eu preciso me descobrir, pra conseguir ter menos. Não sei como, mas sei que vou conseguir ter só uma mala quando isso acontecer.
Tenho pensamentos recorrentes com tudo que tenho nojo. Acho que eu deveria voltar a tomar lexapro e bupropiona. O enjoo é constante. É horrível. Ouvir sotaque do sul me deixa irritada. Também é horrível. Queria uma semana em silêncio, em um lugar em que conheço ninguém. Será que minha cabeça deixaria de pensar em coisas asquerosas se não estivesse tão obcecada com limpeza?
Eu me sinto suja.
Não gosto de grandes quantidade de água concentrada, mas queria estar em um rio de água doce e gelada, com o sol queimando o corpo. 

segunda-feira, 6 de abril de 2020

"Não sei. Só sei que foi assim"

Não consigo mais dormir antes de 1h da manhã, mas sigo tentando acordar entre 8h e 9h. Minha sobrancelha tá caindo, a dermatite veio com força total e não consigo parar de comer. Vou tentar ler tudo o que preciso essa semana, e começar a escrever semana que vem. Vou mandar e-mails pros meus professores, enviar a carta pro Chris e talvez começar a fazer dieta de novo. Vai fazer um mês que começou tudo isso e eu fiz absolutamente nada do que deveria fazer. Pelo menos três semanas foram de pânico total. Tenho me acalmado nos últimos dias, mas ao mesmo tempo sinto tudo isso aí de cima, e umas palpitações esquisitas. Meus pais me ligam pra me acalmar, eu sinto um desespero - "e se alguma coisa acontecer com eles ou com o Julio?" -  mas me forço a não pensar nisso. 
Hoje de madrugada eu ouvi o tal barulho do céu. 
Senti um senso de comunidade bizarro ouvindo o tal barulho (que parece de duas placas de metal se chocando ou algo assim), e acordei me sentindo diferente. Não sei porque. Os últimos meses tem sido exclusivamente disso: um grande não sei. Não sei porque, não sei se quero. Eu queria estar trabalhando pra pagar uma terapia pelo menos. 

quinta-feira, 2 de abril de 2020

E vamos de Dolores Duran no escuro.

Tudo o que eu faço é sentir medo e tentar fugir dos meus próprios pensamentos sobre o futuro do mundo e meu futuro acadêmico.
Curiosamente, além do nu metal e dos animes (que me fazem voltar a um passado seguro), o que mais me vêm à mente é minha vida amorosa.



sexta-feira, 27 de março de 2020

Dissociação

Meia noite e quarenta e três.
Eu leio um romance de banca de uma série longa que comecei ano passado, porque decidi que merecia. Hoje foi difícil. Dos dias de desespero, hoje foi o de pânico total: chorei no meio de uma aula por videoconferência, pensei em me cortar, abri o site e passagens pra comprar uma passagem e ir embora, chorei abraçada com a Denisse.
Eu merecia algumas horas sem pensar no mundo, no Brasil, no mestrado, na minha vida profissional ou na minha vida amorosa. Não sei de nada. Não posso fazer nenhum plano. Mas por um momento vou focar minhas energias em acompanhar um casal fictício fofinho.
Seu Manuel assiste TV no quarto dele e eu consigo ouvir a música de alguma propaganda triste. De repente, um estalo: eu estou longe de tudo. Essa não é minha casa. Eu estou aqui há seis meses, e ainda não é minha casa. Esses braços que eu olho nesse exato momento são estranhos, e estão crescendo. Eu engordei muito esses dias. O ar fica esquisito. Eu não sei o que estou fazendo aqui. Viro pra frente e vejo as fotos dos meus amigos e da minha família, penduradas na frente da minha cama. Começo a chorar enquanto escrevo. Olho pras minhas mãos, pra ter certeza que são minhas mesmo. Seu Manuel desligou a TV, não vou mais ouvir a música que despertou isso, seja lá o que isso seja.