quinta-feira, 25 de março de 2010

O que eu sinto, sem melodrama,

A quantidade de doces que eu comi em Londres é maior que a quantidade de doces que eu comi em toda minha vida;
Eu atendi milhares de telefonemas e não entendi uma palavra do que estavam dizendo;
Eu fico na internet e assisto canais de clipes como se estivesse em casa (compulsivamente);
Eu nunca comprei tantas coisas pra mim como eu estou comprando aqui;
Eu li 15 livros em 2 meses;
Eu chorei de emocao na Casa da Jane Austen, nos musicais que assisti e quando vi Picassos originais;
Quando eu vou a Candem Town tenho vontade de cantar Sex Pistols de tão feliz que fico;
Toda vez que eu compro um livro eu tenho vontade de sair dancando pela calcada;
Eu tenho vontade de comprar tudo que acho bonito;
Eu queria poder visitar todos os museus da cidade, mas são muitos e eu tenho que escolher alguns. Pra não me sentir mal por isso, eu não olho pras placas de museus nas ruas;
Eu comi coisas de metade dos países do globo, mas não largo a minha culinária brasileira por nada;
Estranha, geek e bookworm são adjetivos que definitivamente se aplicam a mim;
Eu pensei em fazer identidade falsa pra conhecer a vida noturna de Londres, mas depois de olhar as fotos das festas dos meus colegas de turma eu desisti;
Mesmo podendo beber (por estar longe dos meus pais) eu só provei cerveja, tomei meio copo de whiskey e algumas tacas de vinho;
Eu descobri que tenho capacidade de fazer tudo, sem ajuda de ninguém. E agora vem o clichê: é só querer;
Eu só sinto saudades do meu país de vez em quando;
Idem pras pessoas, família, rotina... Mas acho que é só porque eu não paro pra pensar nisso;
Eu não fiz nenhum amigo estrangeiro (até porque estrangeiro é frio e ponto final);
Eu descobri que apesar de ter muita europa na cabeca, meu sangue é latino (ele só é europeu quando eu comparo com o das pessoas MUITO latinas*);
Eu queria poder estudar aqui ou em NY (oportunidades de ir pra NY é que não faltam);
Eu queria poder me desligar de metade da meia dúzia de amigos que eu tenho.

*como uma pessoa pode ser "muito latina"? Só sendo pra saber.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Meu lado direito do cérebro.

Estava sendo consumida pelo marasmo. O tédio comia suas horas, por mais que tentasse ocupá-las com atividades diferentes. Não, não chegava a ser spleen. O Spleen acontecia naqueles meses de julho, dezembro e janeiro, quando o sol se tornava lenda de tão enfurnada em casa que ficava. A coisa toda era nova e lenta. A euforia de experiências novas estava sendo sugada, nutriente por nutriente.
Não lembrava da sensacão do abraco. Não que fosse hugaholic, ou algo parecido. Era conhecida por não gostar de abracos. Não fazia questão. Quando abria os bracos involuntariamente pra oferecer calor e alguém a lembrava disso, sentia vergonha (não aquela vergonha que deixa as bochechas vermelhas e as pessoas mais atraentes. Não fora feita pra ser atraente - em nenhum sentido). Achava que se sentiria em casa, naquele país frio e (supostamente) educado. Mas se sentiu só. Sentiu-se latina, alma latina, sangue latino.
De vez em quando sentia vontade de contato. Pele com pele. Pêlo com pêlo. E sentia o amor se irradiando dos outros. O problema estava a acontecer com ela, que se mostrou ser explosão de amor. Só a sua mente era européia e nem esta, por completo.
Ganhou alguns mimos da companheira de quarto. Nada grande. Leques, cartas, hashis, biscoitinhos, um ursinho de pelúcia, um caderninho da hello kitty e outras maravilhas inúteis vindas do Japão. Agora toda vez que vê o grande "Hug me" nos pés do pequeno teddy bear, sabe que tem um grande coracão. Grande, mole, doce e quente. Por mais que tenha passado 17 anos da vida negando.

"coração
PRA CIMA
escrito embaixo
FRÁGIL"
(paulo leminski)

terça-feira, 23 de março de 2010

O maior clichê ateu do mundo.

Eu sou uma página em branco.


Branco que me dói os olhos.

Fez-se a luz.

O oceano que escondia meu iceberg se abriu. Se foi Moisés ou eu não sei. Só sei que o meu profundo é quente, é luz e silêncio. Não é um iceberg, é um vulcão. O iceberg é só a ponta. O oceano saiu, lembra? Não precisa mais ter vergonha de ser vulcão, de ser paixão. Gelo com uma camada de acúcar, eu proclamava. Mentia. Acúcar e mel com uma camada de gelo. Gelo que teima em existir.
São como milhões de pequenas epifanias. Como aquela da dona de casa de "Amor", da Clarice Lispector. É notar-se e notar o mundo. É êxtase e melancolia ao mesmo tempo. É saber todas as respostas e esquecê-las. É descobrir que o amor dentro de você é tão grande que não cabe.
Pisco os olhos e acabou. Fim. The end. Finito. Não sei se existiu ou não. O "se" vai ficar marcado pra sempre na ponta do iceberg. "Soprar a vela do dia" é o que me resta.

Ironia ter encontrado a luz na escuridão.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Fico.

Mais um mes nesse pais que me engana os sentidos e sentimentos.

"nem mais, nem menos
o tempo que temos:
este instante"
(Rodrigo G.)

Ne?